quarta-feira, 21 de novembro de 2012



"Tenho meus quartos escuros e, quando estou cansada, me tranco lá e não quero saber da luz do sol. É preciso estar bem pra enxergar a luz como claridade. Se estou mal, ela me encadeia.
É necessário desertar, é uma questão de sobrevivência a 

fuga da rotina de extraviar-se sem poder se emendar e ter que continuar andando.

Temos o direito a nos desmontar de vez em quando, deixar que os cacos se espalhem, mesmo que nunca mais consigamos juntar todos do mesmo jeito, mas teremos movimentado a nossa engrenagem, provado da nossa impotência, da nossa incapacidade humana, da nossa desnecessidade de ser infalíveis.
Sou assim, feita de remendos e retalhos, às vezes a costura fica a mostra; noutras, a tinta demora a secar, a cola escorre, mas, entre um recorte e outro, preparo os ouvidos para a ordem inevitável : 'levanta-te e anda ! '
É quando abro a porta, coloco as inquietações entre parênteses, e vejo a claridade do dia amanhecer-me para uma nova história."


quinta-feira, 25 de outubro de 2012




"Contente. Contente do instante
Da ressurreição, das insônias heróicas
Contente da assombrada canção
Que no meu peito agora se entrelaça.
Sabes? O fogo iluminou a casa.
E sobre a claridade do capim
Um expandir-se de asa, um trinado

Uma garganta aguda, vitoriosa.

Desde sempre em mim. Desde
Sempre estiveste. Nas arcadas do Tempo
Nas ermas biografias, neste adro solar
No meu mudo momento


Desde sempre, amor, redescoberto em mim."


(Hilda Hilst)

sábado, 20 de outubro de 2012

Every single night



"That what I am is what I am cause I does what I does
And maybe I'd relax, let my breast shot bust open
My heart's made of parts of all that surround me
And that's why the devil just can't get around me
Every single night's alright, every single night's a fight
And every single fight's alright with my brain..."

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

55 coisas aleatórias sobre mim


1. Primeira coisa que você lava no chuveiro? Pescoço e ombros.
2. Qual é o seu hobbie favorito? Ficar observando as pessoas e seus comportamentos para analisar posteriormente. Coisa de stalker maluco, but I can't help it.
3. Como você está se sentindo agora? Sentindo saudade de um tempo que ainda não vivi.
4. Qual é a coisa mais próxima de você que é vermelha? Meu abajour cafoninha de corações (ele é tão brega que reflete corações na parede), mas que me faz lembrar uma época em que tudo era mais inocente.
5. Como foi seu último sonho? Família reunida pro casamento da minha irmã (já casada), e eu usando um vestido breguíssimo. Todas aquelas discussões familiares de sempre e eu me isolando no quarto, também como sempre.
6. O que você quer agora? Férias, com urgência. Mas não só da faculdade, da cidade... férias da vida.
7. Você é emotiva? Na medida exata entre louca-passional-almodovoriana e fria-sem-coração-bergmaniana. Ando numa fase controlada (externamente, pensamentos estão a mil), mas tenho meus momentos mais emotivos.
8. Já contou até 1000? Costumo contar pra pegar no sono quando tô com insônia (a.k.a. todo dia), mas sempre durmo ou desisto no meio, nunca sei até onde cheguei.
9. Você morde ou lambe o sorvete? Os dois.
10.Você gosta do seu cabelo? Gosto muito do meu cabelo. Mas reclamo dele por esporte.
11. Você gosta de si mesma? Depende do momento, mas geralmente, sim.  Pelo menos me orgulho mais das minhas coisas do que me envergonho delas. Mas gosto de uma maneira consciente dos meus defeitos, meus erros. Não é um amor cego e bobo. É um estado de saber quem se é, o que se quer, e se sentir confortável com isso. Mas tenho meus momentos de ódio.
12. O que você está ouvindo agora? http://www.youtube.com/watch?v=q5Ig8V8tL5s (recomendo o filme também, mas o italiano, original, não a bizarrice americana)
13. Queria poder mergulhar no céu? Dispenso.
14. Você já conheceu uma celebridade? Almoçei com o Bruno Gagliasso depois de ganhar uma promoção de rádio, comemos sashimi. 
15. Existe alguma coisa brilhante onde você está? Serve o lustre?
16. Qual seu lugar preferido da casa? Se meu quarto tivesse geladeira e uma dispensa ia ser meu lugar preferido não apenas em casa, como no mundo.
17. Você já passou trote?  Não, sempre fui do tipo intelectual-sensível-nerd.
18. Já esteve em um trem? Não, mas pretendo estar em uma viagem próxima à Europa.
19. Você tem celular? Não contente em ter um, eu tenho dois.
20. Qual o sabor do gloss/batom que você usa? É de comer? Escolho pela cor mesmo. Mas minhas maquiagens são limitadíssimas, sou extremamente preguiçosa com essas coisas e valorizo demais o natural.
21. Você tem alguma arma? Segundo entes queridos e próximos, são minhas palavras.
22. Se você fosse homem, como gostaria que fosse seu cabelo? Milimetricamente despenteado. Ou raspado.
23. Com quem você vai estar hoje a noite? Audrey Hepburn e seu quadro na minha parede, e alguns possíveis bêbados passando na rua.
24. Você é alta? Definitivamente, não.
25. Já esteve apaixonada? "Você sabe o que ter um amor, meu senhor, e por ele quase morrer?" Eu sei.
26. O que vai fazer amanhã? Estudar (pretendo), arrumar meu guarda-roupa que muito me incomoda, e curtir o repouso obrigatório.
27. Está apaixonada? Leia a resposta da questão 25.
28. A última vez que você chorou? Há uns 30 minutos.
29. Qual foi a última pergunta que você fez? “Será que ainda tem sorvete?”
30. Estação favorita? Outono de Nova York, com folhas no chão. Sendo tupiniquim, inverno.
31. Você tem alguma tatuagem? Ainda não. Mas em vias de.
32. Você é sarcástica? Já fui mais, confesso. Ultimamente ando praticante do sarcasmo mental. Machuca menos as pessoas mas alivia da mesma forma. Recomendo.
33. Já pulou um muro? Sempre fui lady (entenda como sonsa), nunca fiz esse tipo de coisa. Nem andar de bicicleta eu sei...
34. Cor favorita? Preto, branco e azul (não sei escolher apenas uma entre essas). Mas no momento diria preto.
35. Alguma vez você já bateu em alguém? Eu batia nos meninos quando era pequena, mas depois de grande, nunca. Sempre fui bem controlada quanto a isso. Não acho que violência resolva as coisas.
36. O seu cabelo é crespo? É liso até demais. 
37. Qual foi o último CD que você comprou? Mil anos que não compro cd, não lembro, mas ACHO que foi o 4, dos Los Hermanos.
38. Aparência importa? Até certo ponto, mas um ponto importante. 
39. Você poderia perdoar uma traição? Considerando como eu sou hoje e o que já vivi, não.
40. Você gosta de sua vida agora? Não gosto, nunca gostei da minha vida, na verdade. Mas hoje em dia tenho maturidade o suficiente pra saber lidar com isso.
41. Você consegue ficar sem mentir? Todos mentem. Só mudam os tópicos e as razões.
42. Você odeia, ou não gosta muita gente? Gosto de pessoas isoladamente, não gosto de gente em bando. Geralmente não gosto de muita gente porque sou crítica e observadora demais, e isso é uma praga. Mas ando mais flexível. E odiar mesmo, não odeio ninguém.
43. Quantas vezes você fala ao telefone? Só com a minha irmã que mora num vilarejo distante que falo sempre, mas às vezes falo com outras no celular. Telefone de casa nunca atendo. Nem interfone. Odeio interagir sem saber quem é do outro lado.
44. O que você está vestindo? Pijama rosa. 
45. Qual é seu animal favorito? Cachorros de qualquer tipo, principalmente Pugs (rola todo um amor). Mas também sou fascinada por cavalos e felinos, de todos os tipos. E tem um bichinho que chama Slow Loris que é o ser mais gracinha que a natureza já fez.
46. Onde você tirou sua foto do perfil? Faz a brincadeira do copo e pergunta pra Audrey. Só sei que é dos bastidores de Funny Face.
47. Você é estudiosa? Há quem dia que tá na cara. E realmente, estudo, sim. Mas nada a ponto de pirar. Já pirei... hoje em dia aprendi a relaxar.
48. Você tem um emprego? Não, mas poderia receber por reclamar em tempo integral. Ou vender Herbalife, sei lá.
49. Alguma vez você já pensou em se matar? Já, mas sou do tipo que não ia morrer e só ia ficar dando trabalho em vida, sabe? Pula do prédio e fica paraplégica, minha cara isso.
50. Acha terrível pessoas…? Que não refletem, principalmente sobre coisas óbvias.
51. Você acha que o sexo oposto te acha atraente? Me acham um serzinho fofo e pra casar, geralmente. Ou uma chata rabugenta. 
52. Uma pessoa para te conquistar precisa? Inteligência, mãos, sobrancelhas e nariz que me agradem, charme, dose certa de sarcasmo e de romantismo. E tem que me fazer rir.
53. …E jamais deve..? Preconceito, burrice e mão feia.
54. Você acha que deve ter amor para ter sexo? Não mesmo. Pra mim, sim, mas entendo quem consegue sem.
55. Como gostaria de morrer? Como eu vi em um filme: na praia, com sol se pondo, calma e feliz.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Take a walk on the wild side




“Eu estava no inverno da minha vida – e os homens que encontrei pelo caminho eram meu único verão. De noite eu dormia e tinha visões de mim mesma dançando, rindo e chorando com eles. Três anos consecutivos em uma infinita turnê mundial e minhas memórias deles foram as únicas coisas que me sustentaram, e meus únicos momentos felizes reais. Eu era uma cantora, não muito popular, que tinha o sonho de se tornar uma bela poetisa – mas uma série de eventos desafortunados destruiu esse sonho e o dividiu como um milhão de estrelas no céu noturno, para que eu fizesse pedidos a elas de novo e de novo – brilhantes e destruídas. Mas eu não me importei, porque sabia que ter tudo que você quer e depois perder isso tudo é saber o que a liberdade verdadeiramente é.
Quando as pessoas que eu conhecia descobriram o que eu fazia, como eu vivia – elas me perguntaram porquê. Mas não faz sentindo falar com pessoas que tem um lar, elas não tem ideia de como é procurar segurança em outras pessoas, procurar um lar onde você possa descansar a cabeça.
Sempre fui uma menina incomum, minha mãe me disse que eu tinha alma de camaleão. Nada de uma bússula moral apontando para o norte, nada de personalidade fixa. Apenas uma determinação interna que era tão grande e oscilante quanto o oceano. E se eu dissesse que não planejava as coisas desse jeito, estaria mentindo, porque eu nasci para ser a outra mulher. Eu não pertencia a ninguém – pertencia a todo mundo, não tinha nada – que queria tudo com o fogo de cada experiência e uma obsessão por liberdade que me assustava tanto a ponto de nem conseguir falar sobre isso – e me empurrou para um ponto nômade de loucura que tanto me deslumbrava quanto me deixava tonta.
Toda noite eu costumava rezar para achar pessoas como eu – e finalmente achei – na estrada. Não tínhamos nada a perder, nada a ganhar, nada que desejássemos mais – exceto transformar nossas vidas em uma obra de arte.
Viva rápido. Morra jovem. Seja selvagem. E se divirta.
Eu acredito no que a América costumava ser. Eu acredito na pessoa que quero me tornar, acredito na liberdade da estrada. E meu lema é o mesmo de sempre – acredito na gentileza dos estranhos. E quando estou em guerra comigo mesma, eu ando por aí. Só ando por aí.
Quem é você? Você está em contato com todas as suas fantasias mais escuras? Você criou uma vida para você mesmo na qual é feliz para experienciá-las? Eu criei. Eu sou louca pra cacete. Mas eu sou livre.”

Ou como um clipe é capaz de te fazer chorar feito criança.

"Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir 
minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do zodíaco."

Wild world




Quando eu era criança, aprendi que escalar o monte Everest é difícil. Que matemática é muito difícil. Que se tornar a primeira bailarina de uma grande companhia de ballet, quase impossível. Ser astronauta também. E que ser médica é bem, beeem difícil. Concordo com tudo isso. Mas acho que a maior dificuldade mesmo é deixar de ser criança e virar adulto. Isso sim é realmente difícil. E é por isso que não podemos deixar morrer a criança que existe dentro de nós. Pra que a doçura e sede de descobertas dos pequenos nunca desapareça, e nos dê forças para enfrentar esse wild world, tantas vezes cruel.


Feliz dia das crianças pra todos, inclusive pras crianças de 100 anos!



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Uma estrela de brilho próprio

Marilyn era uma grande defensora do Movimento pelos Direitos Civis. Ella Fitzgerald foi um dos ídolos de Marilyn e uma grande inspiração. No entanto, a casa de shows Mocambo em West Hollywood, o ponto de dança mais popular da época, se recusou a deixar Ella se apresentar lá porque ela era negra. Indignada, Marilyn apresentou uma tentadora proposta ao dono da casa de shows.
De acordo com a grande Ella Fitzgerald:

"Eu devo a Marilyn Monroe uma dívida real. Foi por causa dela que eu me apresentei na Mocambo, uma discoteca muito popular nos anos 50. Ela ligou pessoalmente para o dono da Mocambo e lhe disse que ele deveria me agendar imediatamente e, se ele fizesse isso, ela iria ocupar uma mesa na primeira fila a cada noite. Ela disse a ele — e era verdade, devido ao status de superstar de Marilyn — que a imprensa iria enlouquecer. O proprietário disse que sim, e Marilyn estava lá, na mesa da frente, todas as noites. A imprensa foi à loucura. Depois disso, eu nunca tive que me apresentar num clube de jazz pequeno novamente. Ela era uma mulher incomum — um pouco a frente seu tempo. E ela não sabia."

Mas nós sabemos, diva!

terça-feira, 9 de outubro de 2012

It's also about let it go

Tenho uma relação extremamente intensa e pessoal com o filme Cisne Negro, tanto que o filme já foi por muito tempo tema da minha terapia. Mas não vou me aprofundar nisso porque é algo intensamente pessoal, complexo e até mesmo doloroso.
O que me motivou a fazer esse post é que tenho a mania de não usar minhas fotos em perfis de redes sociais. Como fã de fotografia que sou, sempre acho que a foto de alguma atriz querida ou de algum filme está melhor focada, com iluminação melhor... ou até mesmo representa melhor meu momento.
E uma foto que costumo usar muito é a da Nina já transformada em Cisne Negro. Já fui inclusive fantasiada de Cisne Negro (como no filme) a uma festa a fantasia. A fantasia fez muito sucesso, aliás, ganhei dezenas de parabéns. Mas enfim. Por causa desse tipo de coisa um amigo curioso veio me perguntar se eu gostava mais da Nina Black Swan porque sou malvadinha. É verdade que a Nina, depois da "transformação", se tornou uma pessoa diferente. Mas o que me interessa no Cisne versão negra é que pra mim, a transformação da personagens significa a TRANSCENDÊNCIA, que a arte em sua forma mais pura. E ela era, acima de tudo, uma artista. Mas só conseguiu sentir a arte correndo em suas veias, tocando a sua pele, mudando a sua mente, após a transformação.
É por isso que prefiro o cisne negro. Porque ele é capaz de transcender e ir aonde poucos foram antes. E isso pra mim é o verdadeiro significado da arte.


P.S.: O Cisne Negro do ballet de repertório original é uma bitch. Apenas.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012


Desde pequena, o inferno costumava me visitar de surpresa. Não ficava muito, apenas se mostrava ali, e entre uma brincadeira de Barbie e a leitura de um livro infantil, ele ia embora. Depois voltava, e com a mesma rapidez que chegava, logo saia.
Acontece que as visitas do inferno deixam marcas. Você começa a se acostumar com a presença dele. Começa a se perguntar quando ele vai voltar, e fica ansiosa com isso. Até que ele volta... de vez.
No começo só vem antes de você dormir ou quando algo ruim te acontece, mas quando você menos espera ele está lá, ao seu lado na faculdade durante uma atividade importante ou na sala de espera do médico enquanto aguarda um resultado de um exame. Ou até mesmo na academia, em um show, em um jantar com amigos. E então o inferno acaba se tornando seu amigo imaginário, por falta de palavra melhor. Seu companheiro inseparável.
Acontece que só você consegue vê-lo, na maioria das vezes. As pessoas ao seu redor apenas o sentem de relance, como se observassem sua respiração balançando seus cabelos mas não entendesse o que se passa.
E ninguém entende, muito menos você. Mas parece que depois de um tempo você se acostuma com a presença dele e não sabe mais como reagir. Não sabe nem se quer reagir. Não por falta de vontade, mas por falta de forças. E porque ele está tão presente na sua vida que você mal consegue se lembrar dos raros momentos que passou sem ele.