A Câmara dos Deputados discutirá em audiência pública na quinta-feira, 28, a suspensão de dois dispositivos de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia que orientam os profissionais da área a não usar a mídia para reforçar preconceitos contra os homossexuais nem propor tratamento para curá-los.
O projeto, do deputado João Campos (PSDB-GO), líder da bancada evangélica na casa, abre caminho para que psicólogos tratem o homossexualismo como um transtorno. O parlamentar argumenta que as orientações restringem o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação.
"Entendo que a matéria não pode ser vista apenas sob a égide de uma única classe profissional, pois alcança a sociedade de uma forma geral. O tema requer um estudo e uma análise aprofundada, levando em consideração os aspectos científicos e também sociais que o envolvem", disse Campos. "Entendo que a matéria também deve ser submetida às pessoas que desejam buscar na psicologia ajuda em virtude de dúvidas quanto à orientação sexual", completou o parlamentar à Agência Câmara.
A proposta de Campos é derrubar dois dispositivos do conselho - o de que "os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades" e o de que "os psicólogos não se pronunciarão nem participarão de pronunciamentos públicos nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica".
A sessão de debate será realizada às 9h30 pela Comissão de Seguridade Social e Família, da qual Campos é suplente.
(Fonte:
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,camara-debate-na-quinta-proposta-que-abre-caminho-para-a-cura-gay,892289,0.htm)
Não costumo utilizar esse espaço para discussões e/ou desabafos, mas o conteúdo da notícia acima me deixou especialmente perplexa.
Como pretendemos nos afirmar como o tal "Brasil - um país de TODOS" quando um retrocesso dessa magnitude é formulado, e, mais gravemente ainda, discutido na Câmara?
O que deveria ser motivo de discussão, na verdade, é a homofobia, que alguns consideram inerente ao "macho", e não uma forma vazia e cruel de preconceito. Vazia e cruel porque tira do outro uma das maiores qualidades das pessoas, uma das coisas que nos define como humanos: o direito de amar livremente, apenas por uma dificuldade de lidar com o diferente.
O que deveria ser inerente às pessoas é o respeito ao próximo, e não uma capacidade irracional de julgar como errado tudo aquilo que difere.
Liberdade sexual, e mais do que isso, liberdade de ser quem se verdadeiramente é, não pode ser um luxo que alguns defendem. Deve ser direito. E só assim poderemos dizer que o Brasil é um país de todos.
Na França já não existe mais o que chamamos de Transtorno de Personalidade de Gênero, que é atribuído a transexuais. Lá não é mais doença: é característica da pessoa. E enquanto isso os nossos homossexuais seguem sofrendo os mais variados tipos de violência e preconceito, pelo simples fato de gostarem de pessoas do mesmo sexo.
Como futura profissional da área de saúde mental e mais do que isso, como cidadã de caráter, a indignação tomou conta de mim quando li essa notícia. Chego a me perguntar se existe algum resquício de humanidade em pessoas que defendem que uma escolha deve ser considerada doença, e que liberdade deve ser privada de alguns porque outros não sabem lidar com isso.
É preciso uma reflexão profunda e sincera sobre os nossos próprios valores. As nossas próprias verdades. Sobre tudo aquilo que interfere na nossa visão do outro. Só assim nos veremos livres de preconceitos e da necessidade de privar o outro de sua própria liberdade. Ser quem é, de maneira livre, é um direito supremo, e não uma decisão política pautada na opinião de quem vive carregado de preconceitos.
Por um país de todos, mas de verdade.
"Eu tô na fila do transplante de esperança."