"Entre ela e Eduardo o ar tinha gosto de sábado. E de súbito os dois eram raros, a
raridade no ar. Eles se sentiam raros, não fazendo parte das mil pessoas que andavam
pelas ruas. Os dois às vezes eram coniventes, tinham uma vida secreta porque ninguém os
compreenderia. E mesmo porque os raros são perseguidos pelo povo que não tolera a
insultante ofensa dos que se diferenciavam. Eles escondiam o amor deles para não ferir os
olhos dos outros de inveja. Para não feri-los com uma centelha luminosa demais para
olhos."
Texto de Clarice Lispector (você pode ler completo aqui: http://www.brazzil.com/pages/shooct99.htm)
Imagem: o famoso quadro O Beijo, do genial Gustav Klimt.
Aprendendo na prática as sutilezas de um amor vivido (quase que) apenas por quem deve vivê-lo: os amantes.
Porque amor não precisa (e nem deve!) ser alardeado, apenas sentido. Sentido na pele, entre quatro paredes, no sorriso, no olhar, na mão que desliza pelo cabelo, no toque delicado do beijo, na gargalhada ao descobrir algo novo do outro, no colo quando houver compartilhamento de tristezas...No dia a dia, lado a lado, vivendo e amando como se só existisse nós dois no mundo.

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